sábado, 22 de maio de 2010

Minha Infância

-Deus, porque todas as outras crianças têm comida, roupas e sapatos e eu não tenho, continuei com meus pensamentos de criança.
Aos 07 (sete) anos de idade tive minha primeira visão, desmaiei quando minha tia Nem veio e mim pegou, acordei não vir mais nada. Sempre triste pela fome que passava, ficava sentada atrás da minha casinha de barro coberta de palha, brincando com minha boneca de pano.
O tempo foi passando e a vida cada vez mais difícil, meu pai resolveu se mudar para o sertão, colocou todos nos em dois burros e fomos em frente, passamos em um pequeno arraial chamado três braços, chegando à noite dormimos embaixo de uma árvore com uma fogueira acesa, amanheceu e seguimos viagem montado em nosso burrinho, comendo farinha e carne seca assada. Passamos em outra cidade chamada Santa Inez, dormimos novamente embaixo da árvore na beira da fogueira, amanheceu e seguimos novamente viagem, passamos por outro arraial chamado Cem, depois seguimos para a zona rural desse arraial, lá passamos alguns anos que não mim lembro quantos. A seca foi muito grande que meu pai resolveu voltar para Wenceslau Guimarães, lá a seca estava muito grande também, ai começou tudo de novo a fome, a pobreza e a miséria, chorava e chamava por Deus e Nossa Senhora das Graças e dizia:- Que vida meu Deus! Além disso, vir minha irmãzinha morrer por falta de remédio, tinha um senhor que benzia as pessoas muitos ele curava mais nem tudo ele podia fazer.
Passando o tempo minha mãe teve mais um filho e eu tomava conta de todos meus irmãos, cansada de tomar conta deles saia para casa dos outros e era ignorada por esta mal vestida e com os cabelos sem pentear , voltava e ia para o rio ouvir o som da cachoeira, fui crescendo vendo que nada mudava pedir a Deus que olhasse pra meus pais e tive vontade de ir embora , mais meus pais não deixaram, a falta de tudo era muito grande sentia muita fome pescava no rio para alimentar a mim e meus irmãos que por muita vezes desmaiei . Quando meu pai conseguia alguma coisa era pouco, mas era uma festa, era tão pouco que logo acabava, pois moravam 09 (noves) pessoas na pequena casinha de barro e coberta de palha.
Sempre tive muita vontade de ir trabalhar, só que era uma criança, quem iria mim da trabalho? Certo dia sair para procurar emprego não conseguir! Pois não tinha idade, estava com fome e pedir comida a uma moça que mim deu bolacha, comi e bebi água do rio Preto que fica na cidade de Teolandia, voltando para casa dormi em uma casa de farinha dentro da prensa, amanheceu e seguir viagem, chegando em casa pedir a minha mãe para trabalhar em Salvador, fui com D. Martinha, continuei tendo minhas visões quando falava todos diziam que eu estava louca. Certo dia D. Martinha arrumou um trabalho num salão de beleza mais eu não recebia era só em troca de comida e dormida, mesmo assim agradecia a Deus e Nossa Senhora das Graças que mandasse algo de bom para mim, pois sofria muitas humilhações da dona do salão. Certo dia falei para ela que ainda iria ter para dá a quem não tinha, chegou uma cliente que se chamava Elizete e mim pediu e a D. Noêmia respondeu: - Leva essa matuta! D. Elizete mim levou, chegando lá, ela mim matriculou na Igreja de Santana no Rio Vermelho, as freiras do colégio vendo que eu não era uma adolescente normal mim fizeram perguntas: - Por que você é tão triste? Eu ficava calada e chorava. Com isso elas passaram a fazer mais perguntas: - Onde você mora? Com quem veio pra Salvador? Respondi: Vim com D. Martinha e moro na cidade Nova.
Na escola as freiras mim tratavam super bem, fiz aceleração terceira e quarta série, fui transferida para o colégio Raphael Serra Vale, passava mal e a professora de português tirava-me da sala e minha colega Juvita era quem mim dava água e eu logo regia, ela mim aconselhava para eu ir ao medico só que não ia.Certo dia fui a praia pela primeira vez e tive uma visão, olhando para o mar só via flores, fui andando e Glória mim segurou, explicou-me que não podia ir para fundo, eu nunca mais conseguir tomar banho de mar, outras vezes fui a praia e conheci “senhor meu marido”, jeitinho carinhoso e respeitador que eu o chamo até hoje, ele era e é de uma família mais bem sucedida, na época que eu o conheci tinha quatorze (14) anos, lembro-me aceitei casar com essa idade para sair da fome e da pobreza, hoje para mim uma adolescente de quatorze (14) anos ainda é uma criança com direito de brincar ,estudar e agir como tal, fui morar com ele e brigávamos muito pois éramos dois (2) adolescente e sem noção da vida. Moramos em Pérnabues (ssa - BA), onde ele tinha uma pequena mercearia. O tempo foi passando e mudamos para Castro Alves a terra onde ele nasceu, moramos sete (7) meses com minha sogra, compramos nossa casa na rua dos artistas no centro de Castro Alves. Sempre doente! Com um tempo apareceu uma lotação pra o milagre de Nossa Senhora das Graças, eu não queria ir mais fui, como tudo que eu faço chamo por Deus e Nª Senhora das Graças, chegando lá a zeladora espiritual pegou em minha mão e disse: - Parece ser professora mais não é. Um dia você vai ser muito feliz e seus sonhos irão se realizar! Cruzou minha mão com a do senhor meu marido e disse: - Vá minha filha seguir seu destino!
Cinco (5) anos depois mudamos para Pojuca, onde arrumamos um trabalho na mesma firma, chamada Viriato Cardoso, sempre doente trabalhei um ano recebi férias, retornei e trabalhei mais nove (9) meses. Os meus desmaios foram se agravando, fui para o médico no Hospital de Medicina em Brotas na Capital, fiz todos os exames e nada deu, mim conformei e voltei para casa, fiquei sem saber o que fazer.Um certo dia tive uma visão de como iria ficar boa e tudo foi concreto.
“Agradeço a Deus porque hoje posso matar a fome de quem tem e cuidar dos doentes espirituais que mim procura. Estudei pouco más a vontade de ajudar pessoas de qual quer idade é muito grande para que eles tenham um futuro melhor e uma vida digna”.

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